Memória & história de vida
Bastidores: como gravamos o episódio com Dona Iracema
Por Equipe do Podcast · 21 de maio de 2026 · 4 min de leitura
Levamos uma manhã inteira em Diamantina, com gravador, café e um caderno cheio de cartas. Conta aqui como foi.
Chegamos cedo. Dona Iracema já estava de avental, fazendo bolo. Disse que tinha esquecido que era hoje, mas a casa toda dizia o contrário: cadeiras arrumadas, cortina aberta, biscoito na mesa.
A gente costuma começar com uma conversa solta, sem gravador. Café, perguntas óbvias, um pouco de história da casa. Quando o ambiente respira, ligamos os equipamentos.
Com Iracema, foi diferente. Ela queria contar já. Sentou na poltrona e começou: "Quando eu entrei na escola, em 1968..." Tivemos que pedir cinco minutos para preparar tudo.
Gravamos por duas horas e meia. Choramos duas vezes. Rimos muito mais. No fim, ela abriu o caderno onde guardava cartas de ex-alunos e leu três delas em voz alta. Esse pedaço entrou inteiro no episódio.
O que não cabe no áudio é a manhã. O cheiro do bolo, o gato no parapeito, as duas vizinhas que apareceram para emprestar açúcar e ficaram ouvindo. Esse texto é uma tentativa de guardar isso também.
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